Disartrofonia Flácidas - Tipo Difuso:
As disartrias flácidas difusas são caracterizadas pela hipofunção em cada sistema da fala. A mais característica anormalidade notada por Darley e outros nesta disartria foi uma grande hipernasalidade. Alguns indivíduos demonstram um estridor inspiratório associado.
Mudanças de postura em doenças neuromusculares resultam em rápida perda de ar com corrente de ar incontrolada e pequeno volume de ar expiratório. Durante a fala, isto resulta em uma emissão curta e rápida de frase. A fraqueza da laringe leva à abdução incompleta na inalação e adução incompleta na exalação. Isto resulta em hipofunção, com mudanças na força, intensidade, qualidade e flexibilidade. A qualidade da voz é aberrante, tornando-se, em geral, resfolegante, embora Darley e outros, tenham notado uma qualidade de voz áspera em 23 de 30 pacientes com paralisia bulbar. Mudanças na ressonância são os mais característicos achados na disartria flácida. O exame do palato revela que o palato mole comumente se eleva, mas não com a extensão normal. Disartria flácida difusa está associada com a fraqueza difusa dos articuladores e conduz ao decréscimo na precisão dos fonemas. Anormalidades na prosódia resultam de problemas que ocorrem na respiração, na fonação, na ressonância e na articulação; podem representar mudanças compensatórias. Com a disartria flácida os pacientes falam com frases curtas, muitas vezes associadas com força e intensidade monótonas.
Disartrofonia Espástica:
As síndromes do neurônio motor superior são clinicamente demonstradas pela presença da espasticidade da hemiplegia (fraqueza unilateral) e pela hiperreflexia. Com lesões bilaterais, a espasticidade bilateral e a paresia estão também associadas com outras características, incluindo disfagia, labilidade emocional e fraqueza bulbar. As últimas características se referem à paralisia pseudobulbar.
Dois tipos de disartrofonia podem ocorrer nas lesões do sistema piramidal. A disartrofonia mais característica está relacionada com lesões bilaterais e usualmente associada à paralisia pseudobulbar. A disartrofonia foi chamada "disartrofonia espástica" por Darley e outros e possui características distintas. O segundo tipo está associado aos distúrbios unilaterais piramidais e ocorre, tipicamente, associado à síndrome espástica hemiplégica.
*Doenças Piramidais Bilaterais:
A doença piramidal bilateral resulta na síndrome da disartrofonia espástica. Esses indivíduos têm a tonalidade aumentada em todas as quatro extremidades, reflexos rápidos e reflexos patológicos.
Como observação particular, as pregas vocais são mantidas mais rigidamente do que o normal, apesar de no exame laringoscópico uma aparência normal estar conservada. As mudanças mais características incluem hiperfonação, desarticulação e hipoprosódia.
Talvez o porcentual mais característico das mudanças que ocorrem na disartrofonia espástica seja a hiperfonação. O indivíduo demonstrou uma qualidade esforçada, reprimida, áspera, com rebaixamento da freqüência fundamental.
Para as lesões unilaterais do sistema piramidal, a disartrofonia não é uma anormalidade proeminente. Isso não é, entretanto, totalmente verdadeiro, como pode ser visto na disartrofonia inábil, síndrome de Fisher. Indivíduos com ataques lacunares têm uma disartrofonia que pode representar uma incapacidade significativa. Com o ataque unilateral, a respiração não é um problema significativo.
A fonação pode ser normal. Pacientes com ataques unilaterais, principalmente com hemiplegia esquerda, têm alguma disfonia, e tendem a ser hipofônicos. A hipernasalidade pode estar presente, mas tende a ser leve. As anormalidades articulatórias são proeminentes e são completamente diferentes daquelas ouvidas na disartria espástica. Nesse caso, sons específicos ou grupos de sons estão desarticulados, um tanto mais que as anormalidades gerais notadas na disartrofonia espástica. Os problemas articulatórios freqüentemente melhoram com o passar do tempo. A diminuição da prosódia pode ocorrer, particularmente, com lesões corticais do hemisfério direto, mas também com as lesões no hemisfério esquerdo.
Disartrofonia Atáxica:
A alteração de fala costuma apresentar-se coincidindo com lesões cerebelares bilaterais ou generalizadas. Estas se produzem em doenças degenerativas, encefalite, exposições tóxicas e em lesões vasculares disseminadas ou desmielinizantes, como a esclerose múltipla.
Na ataxia cerebelar, os músculos afetados estão hipotônicos. Os movimentos são lentos e impróprios em força, extensão, duração e direção. Com freqüência se observa nistagmo e os movimentos oculares podem ser irregulares. Existe um tipo de tremor característico, chamado intencional, que aparece ao ser executado um movimento intencional e que aumenta até o final do mesmo, ao aproximar-se do objetivo.
As características clínicas mais freqüentes relativas à disfunção laríngea são a aspereza da voz e uma monotonia no tom com poucas variações de intensidade. Entretanto, também se pode observar a presença de excessivas variações na intensidade, hipofonia ou tremor na voz.
Os desvios articulatórios mais importantes nas lesões cerebelares são a pouca exatidão consonantal e a distorção vocálica. Tipicamente, estes transtornos se apresentam de forma irregular e transitória, ainda que esta característica seja compartilhada com outras síndromes com movimentos anormais, como as coréias.
Tradicionalmente se designa a fala destes pacientes como "palavra escandida".
Disartrofonia Hipocinética:
O termo disartrofonia hipocinética foi criado por Darley, Aronson & Brown para designar a disartria associada à síndrome parkinsoniana, especificamente a doença idiopática de Parkinson, porque a hipocinesia descreve a característica principal, que é a ruptura da fala nesses pacientes.
As afecções extrapiramidais se manifestam freqüentemente sob a forma de hipocinesia. Aparecem com lentidão e limitação no curso dos movimentos, diminuição dos atos espontâneos e associados, rigidez, tremor "de repouso" assim como perda dos aspectos automáticos dos movimentos.
A doença de Parkinson caracteriza-se tipicamente por hipocinesia. É uma afecção freqüente que afeta aproximadamente 1% da população de mais de 50 anos de idade. São características a face inexpressiva, a marcha de passos pequenos e com uma aceleração progressiva.
As características mais citadas pelos diversos autores em problemas da fala dos parkinsonianos são a debilidade da voz, disprosódia, articulação com falhas, falta de inflexão, pausas, dúvidas e fala em acesso. A hipofonia é típica nestes pacientes e em alguns observa-se um decréscimo da intensidade durante o decurso da fala. As frases tendem a ser curtas. Ës vezes se observam acelerações breves da fala, separadas por pausas.
O exame da função laríngea revela uma redução da eficiência fonatória devido a uma falta de flexibilidade e de controle dos movimento laríngeos. Por outro lado, o exame laringoscópico não revela nenhuma disjunção aparente.
Embora menos proeminentes que as mudanças prosódicas, também se evidencia imprecisão articulatória e um decréscimo na inteligibilidade da fala.
Disartrofonia Hipercinética:
A disartrofonia hipercinética ocorre em pacientes que têm distúrbios do movimento que interferem nos padrões normais do movimento, como coréia, atetose, distonia, discinesia tardia, mioclônus palatal e tremores da voz. Estes movimentos adicionais rompem a fala em base intermitente, do que resulta a perda do padrão normal. Através da fala, por si só, pode ser difícil determinar qual o tipo específico do distúrbio do movimento presente, mas que há um padrão hipercinético, isto é facilmente discernível.
Disartrofonia hipercinética é o termo escolhido por Darley, Aronson & Brown para se referir às disartrofonias associadas com as formas hipercinéticas da doença extrapiramidal. Pode ser geral - a rigidez e a distonia dos músculos envolvidos na fonoarticulação podem acarretar irregularidade na respiração e quebras "aberrantes" de freqüência e intensidade; ou rápida - quebra repentina e irregulares de freqüência, variações da intensidade, afonia intermitente e fonação estrangulada; e ainda pode ser lenta - mudanças mais lentas na freqüência intensidade e qualidade de fonação, monofreqüência e alteração intensa da modulação.
A fonoterapia praticada com embasamento teórico-científico pode auxiliar indivíduos, no sentido de adequar, dentro dos limites de patologia, a produção vocal e articulatória, favorecendo uma comunicação efetiva, melhorando os aspectos psicossociais, dando parâmetro para uma melhor qualidade de vida.
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